:: INÍCIO DO TURTABLISM

O scratch (movimento que consiste em girar o vinil para frente e para trás com a ponta dos dedos em velocidades variadas) foi criado em 1977, por acaso, pelo DJ Grand Wizard Theodore que disse “Estava ensaiando no meu quarto, quando mamãe veio me chamar.

Segurei o disco para poder ouvi-la, ao fazer aquilo percebi um som diferente no fone. Então comecei a praticar em diferentes pontos do disco procurando o melhor efeito.

” O scratch ficou nos subúrbios por anos até ser “descoberto” pela massa. Nos dias de hoje, as formas diferentes de se fazer um scratch são incríveis! Sempre haverá alguém que será influenciado e recriará aquilo que já havia. Com isso temos scratches como crab, scribble, baby scratch, tear, chop, transform, the orbit para citar alguns.

Grand Master Flash foi a pessoa que inovou o scratch dando o valor que ele tem hoje e criou o back to back (repetição de uma mesma frase nos dois toca-discos).

Flash trouxe a performance, o show. Sempre fuçava nos equipamentos na busca de um novo som, uma nova ferramenta que pudesse utilizar em suas apresentações. Enquanto Kool Herc pouco se dirigia ao público, Flash mixava e alegrava a todos com truques corporais e contorcionismos sobre os toca-discos. Havia um jovem freqüentador das festas de Herc que completaria o tripé original do Hip Hop.

Afrika Bambaataa percebeu que tinha a maioria dos discos que Kool Herc tocava em suas festas. Tomou gosto pela coisa e começou a tocar também. Felizmente Bambaataa tinha horizontes mais amplos e descobriu discos que entraram para a discografia básica da Cultura: Trans-Europe Express do Kraftwerk, Champ do Mohawks, Dance to the Drummer’s Beat de Herman Kelly entre outros.

Foi membro de uma das maiores gangues da época a Black Spades que no meio da década de 70 foi desaparecendo, neste meio tempo, os elementos do Hip Hop surgiam e se espalhavam pelos quatro cantos de Nova York preenchendo o espaço das gangues.

Em 1974, Afrika funda a Zulu Nation, entidade que luta pela “Paz, União e Diversão”. Após quase 30 anos depois, é possível afirmar que a maior contribuição de Bambaataa dentro da Cultura Hip Hop foi sociológica. Sem desmerecer, é claro, a contribuição musical deixada tanto como MC como quanto DJ. O poder de unir pessoas é uma das principais virtudes de um DJ. Ele pode comandar o andamento e a evolução de uma festa, se ela está ficando incontrolável, ele pode abrandar; se o ambiente está calmo demais ele pode agitar. Uma das melhores formas de agitar a galera era por meio do diálogo direto com o público, remetendo ao ancestral diálogo do calling and response (chamado e resposta) dos escravos norte-americanos. Frases como Can you feel it?, Say yeah!, Put your hands up in the air!, Rock your body! animavam o público fazendo-os reagir. Até hoje estas frases são sampleadas em músicas e utilizadas nos shows de artistas de todo o mundo.

No início o DJ era o responsável por estas incitações, ele falava, ele fazia o povo se mexer. Com o tempo a coisa foi crescendo, as frases foram ganhando corpo e novas foram sendo criadas, frases que se transformaram em estrofes e depois em letras mais eleboradas.

O teor era sempre o de animação, de alegria, uma alegria diria até inocente. E os responsáveis pela composição (o MC) ganhavam mais espaço e iam conquistando o seu espaço ao lado do DJ. Com o passar do tempo eles os responsáveis pela animação do público. A evolução do DJ levou ao surgimento de vários sub gêneros dentro do elemento DJ. No princípio, a evolução foi naquilo que se podia fazer diretamente com o toca-discos. Foram surgindo técnicas que sempre inovavam e revolucionavam. O scratch, o truques com o corpo, o transforming, o beat juggling.

A tão falada evolução levou a competição. Em 1987 o Disco Mix Club (DMC) organizou o primeiro evento onde os Djs podiam mostrar o que sabiam. Com o passar dos anos, já havia DJs no mundo inteiro, assim como novas competições. Surgem grupos de DJs magníficos como o Invisibl Skratch Piklz (antes chamado de Rock Steady Crew DJs) formado por D-Styles, Mixmaster Mike, A-Trak, DJ Shortkut, Q-Bert e Yoga Frog. Q-Bert e Mixmaster Mike foram proibidos de participar de competições por inibirem a presenças de outros competidores. Seus horizontes não estavam limitados apenas a performances, mas também a realização de vídeos instrituivos, turnês mundiais de promoção. Eles foram a base para a criação da ITF (International Turntablist Federation), cujo termo Turntablist foi criado pelo DJ BABU dos Beat Junkies. O grupo anunciou sua dissolução pacífica em junho de 2000.

Outro supergrupo é o X-ecutioners (antigo X-Men), formado por Mr Sinista, Roc Raida, Total Eclipse e Rob Swift. Sua marca é a de levar os truques corporais a um outro nível de complexidade. Fechando a tríade, está o Beat Junkies (J-Rocc, Rhettmatic, Melo-D, Babu). Juntos desde 92, vindos do sul da Califórnia, é uma das poucas equipes com um membro feminino. Ganharam vários títulos no DMC, no Supermen e nas competições da ITF. DJ Cash Money, Supernatural Turntable Artists, Allies (A-Trak, DJ Craze e Infamous) são outros expoentes na Djing. Quanto mais os equipamentos evoluem em tecnologia, mais técnicas inovadoras aparecem.

Com o crescimento da música Rap, grupos são formados e o DJ está presente como a pessoa responsável pela base musical sobre a qual o MC/Rapper vai mostrar suas rimas. Como os músicos, os DJs também tem variadas atividades e papéis. Podem trabalhar como DJs de turnê, trabalham para um determinado grupo durante sua turnê. Existem os DJs que produzem mixtapes (fitas cassetes contendo músicas mixadas com o toque do DJ que a produziu), estas fitas são disputadas no meio underground e são o melhor meio de divulgação de um DJ desconhecido. Dentre os DJs de grupo consagrados posso citar Terminator X (Public Enemy), DJ Yella (NWA), Jam Master Jay (Run DMC) - repare que são todos grupos da fase de ouro do Rap (final dos 80, início dos 90).

Nos últimos 5 anos, o mercado do Rap é dominado pelos produtores e selos fonográficos e não mais pelos DJs. Daí a necessidade da contratação de um DJ específico para acompanhar nos shows. Dentre os poucos DJs de peso ainda existentes, DJ Premier (Gangstarr), Dj Uneek (BONE) e DJ Muggs (Cypress Hill) são exemplos claros de artistas que deixaram o papel de mero integrante de um grupo de Rap para também, fazer música. São pessoas que se tornam produtores de seus grupos e de outros artistas. Organizam coletâneas com supervisão pessoal e ganham conceito no meio musical. A capacidade de criar um estilo próprio, um som próprio o leva a romper os limites de mero DJ de grupo. Premier, além de exímio produtor, é um excelente DJ de performance. Seus scratches e colagens são marcos na musicalidade Hip Hop Alex Strunz

Por: Dj Jogado

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